
Schoolastic: 10 anos de pesquisas e resiliência
Entre dados, sentido e invisibilidade: O propósito de criar uma solução educacional
Há momentos em que a paixão pela educação se mistura aos desafios do real e da subjetividade. Nada no mundo faz sentido até fazer… — e o sentido só se revela quando insistimos em olhar além da rotina, da indiferença e dos obstáculos diários. O caminho de um educador não é uma estrada pavimentada; é trilha aberta a cada passo, enfrentando resistências e depositando esperança onde muitos apenas veem rotina e conformismo.
Semeando possibilidades desde o início
Muito do que propomos nasce do desejo de antecipar descobertas fundamentais sobre crianças e adolescentes, reduzindo o tempo entre o aparecimento das primeiras dúvidas e as respostas realmente úteis. Nossa abordagem traduz na prática o que a literatura científica apresenta como ideal: investigar precocemente tópicos que, em cenários convencionais, só seriam sondados após algumas sessões e encontros entre familiares, professores e até mesmo profissionais especializados como psicólogos, psicopedagogos e neuro especialistas. Criando assim, oportunidades reais para que todos, de forma síncrona, possam acessar informações essenciais — e mais rápido do que nunca.
A Inovação não é filha do conformismo
Buscar rigor técnico é importante, mas se cairmos no extremo catedrático e padronizado, nada novo e vivo emerge. Grandes soluções nascem do inconformismo, do desconforto diante de processos engessados, e da necessidade quase visceral de transformar experiência em ação. Métodos existem para servir à criação — nunca para engessá-la.
Para além dos testes: Matrizes que intermedeiam diálogos e inspiram cuidados
A interpretação dos instrumentos disponíveis, sejam eles comportamentais, neuropsicológicos ou pedagógicos, estará sempre sujeita a algum nível de subjetividade. É comum que diferentes avaliações gerem dúvidas e até questionamentos sobre a própria validade dos resultados. Porém, como já citei em meu livro “A eVUCAção do Século XXI”, mais do que buscar perfeição, o objetivo é despertar todos do piloto automático: ajudar a construir uma matriz que conecte pais, educadores e profissionais — colocando todos no mesmo compasso, olhando para as mesmas questões, colaborando na construção de um olhar coletivo sobre os potenciais e eventualmente, defasagens das crianças e jovens. E se, porventura, qualquer prognóstico não se converter em diagnóstico, que pequemos pelo excesso de zelo, nunca pela ausência. Estamos em um momento que não fazer nada será mais nocivo do que propormos algo novo que não se converta em efetividade plena.
A Invisibilidade e seus efeitos
Torna-se impossível ignorar a relevância dessa iniciativa quando confrontamos as estatísticas da exclusão gerada pela falta de olhar atento e de conexão entre os envolvidos:
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- Mais de 80% dos casos de dislexia não chegam ao diagnóstico formal no Brasil, resultando em gerações inteiras marcadas pela invisibilidade.
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- Até 70% dos casos de TDAH em crianças e adolescentes seguem sem diagnóstico adequado ao longo da vida escolar.
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- Apenas cerca de 30% dos casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) são identificados precocemente.
No contexto brasileiro, a literatura científica aponta que a maioria dos diagnósticos ocorrem após a primeira infância…(muitos, sequer ocorrem).
- Apenas cerca de 30% dos casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) são identificados precocemente.
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- Quase 60% das altas habilidades/superdotação não são reconhecidas pelas escolas, impedindo o pleno desenvolvimento de talentos.
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- Já a medicalização inadequada afeta aproximadamente 40% dos alunos diagnosticados com dificuldades de aprendizagem, muitas vezes, sem investigação multidisciplinar criteriosa.
Esses são mais do que números — são vidas inteiras atravessando o sistema sem apoio, reconhecimento ou voz.
Escolhendo pelo excesso à ausência
Nossa maior missão é impedir que crianças, famílias e profissionais andem às cegas. Para tanto, viabilizamos uma matriz robusta e colaborativa, aberta ao diálogo e atenta à singularidade de cada trajetória — porque, no fim, transformar vidas exige movimento, construção conjunta e coragem para persistir. Não se trata de garantir respostas definitivas, mas de romper com a indiferença e a invisibilidade.
Transformar o cenário da educação e agora, também o da saúde é, antes de tudo, construir sentido coletivo onde, muitas vezes, só há silêncio. Porque se há algo que faz tudo valer a pena, é ver o sentido nascer onde antes havia apenas dúvida. Nada no mundo faz sentido até fazer… — cabe a nós fazer acontecer.